Vírus já foi registrado em todos os estado e no Distrito Federal e circula entre pessoas que não viajaram ou tiveram contato com quem esteve no exterior. SP lidera número de casos e de mortes

O governo de Jair Bolsonaro ainda resiste a tomar medidas restritivas, e necessárias, como fechar aeroportos e estradas para conter a disseminação do coronavírus (Covid-19), apesar do total de casos confirmados ter subido para 1.546 e o de mortes para 25, segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados neste domingo (22).

Os números podem ser maior ainda, segundo o Ministério da Saúde, por três razões: 1) baixa notificação, 2) escassez de testes para detectar a presença do vírus, e 3) porque 80% dos casos são assintomáticos, as pessoas não têm tosse, febre, dor de garganta, nada, mas têm o vírus e podem contaminar outras pessoas. Por isso, executivos do ministério reforçam a importância do isolamento.

Neste sábado (21), Ministério da Saúde publicou portaria declarando que já não é mais possível identificar a origem do vírus. Isso significa que a transmissão do Covid-19 é comunitária ou sustentada. Não importa se a pessoa viajou para outro país ou não, o vírus já se espalhou e matou gente com a doméstica do Rio de Janeiro que pegou com a patroa que havia viajado para a Itália, e o porteiro de São Paulo que tinha problemas de locomoção e praticamente não saia de casa. Ninguém sabe com quem ou como ele contraiu o vírus.

Transmissão comunitária ou sustentada é quando os médicos não conseguem mais rastrear a origem da infecção, indicando que o vírus circula entre pessoas que não viajaram ou tiveram contato com quem esteve no exterior.
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Todos os estados e o DF têm o vírus

Até a quinta-feira (19), a contaminação sustentada atingia seis estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina (no interior), Minas Gerais (na capital, Belo Horizonte) e Rio Grande do Sul (também na capital, Porto Alegre).

SP é o estado com mais casos confirmados e mortes

O estado de São Paulo tem 631 casos confirmados e 22 mortes. Em segundo lugar está o Rio de Janeiro, com 186 casos e três mortes. Em seguida vêm o Distrito Federal, com 117, o estado do Ceará, com 112, Minas Gerais, com 83,  o Rio Grande do Sul, 72 e Santa Catarina, com 58 casos confirmados.

Roraima, último estado a confirmar contaminação por Covid-19,  registrou os dois primeiros casos na noite  de sábado (21).

De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira os casos de coronavírus no Brasil ainda estão concentrados nas grandes cidades. “A maioria absoluta dos casos está em municípios com mais de 500 mil habitantes”.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que é médico, disse que a previsão é que o número de casos da doença vai disparar em abril e o sistema de saúde deve entrar em colapso.

Mudança de estratégia de combate ao vírus

O aumento rápido no número de casos confirmados levou o Ministério da Saúde a decidir fazer testes em casos leves, como fizeram países que controlaram rapidamente a disseminação do vírus, como Hong Kong e Singapura.

No sábado, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, disse que o governo está adquirindo mais testes e que, na próxima semana, “daqui a 8 dias”, o país terá 5 milhões de testes rápidos para distribuição em todo o Brasil. A prioridade será testar profissionais de saúde e pacientes das unidades básicas de saúde, disse o secretário.