Autora: Liana Araújo, secretária da mulher trabalhadora da CUT Pernambuco e diretora de Saúde do SINDPD-PE

Esse tipo de doença afeta mulheres e homens, mas a incidência maior é sobre as mulheres

Chegamos aos últimos meses do ano e mais uma vez o Ministério da Saúde coloca nas ruas a Campanha Outubro Rosa, que chama atenção para o auto-exame e ações de prevenção com relação ao câncer de mama, que atinge atualmente milhares de mulheres no Brasil.

Esse tipo de doença afeta mulheres e homens, mas a incidência maior é sobre as mulheres. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para o ano de 2018 serão registrados 59.700 novos casos, o que é um número assustador, pois entre todos os tipos de câncer, nas mulheres, o que mais mata é o de mama.

Questões importantes

Essa estatística nos leva a algumas reflexões: Como o Ministério da Saúde tem disseminado, divulgado e ampliado essa informação na cidade e no campo? As mulheres realmente têm acesso regular a esses exames? Os postos de atendimento com mamógrafos estão espalhados pelos municípios no interior do Estado, nas Regiões Metropolitanas, em locais de difícil acesso e áreas rurais, ou apenas em grandes cidades do País? A campanha se concentra no mês de outubro, mas ao longo do ano, o que é feito para atender a essas mulheres?

Sabemos que a sobrecarga de trabalho vivenciada pela mulher no seu dia a dia, que enfrenta dupla e até tripla jornada, é um dificultador real para que a elar cuide da sua saúde e realize exames regularmente. Se dedicar à saúde acaba sendo artigo de luxo, dentro de um tempo tão exíguo!

Somos contra e lutamos para acabar com essa situação em que o trabalho doméstico e os cuidados com a família recaiam sobre as mulheres (a tão conhecida divisão sexual do trabalho), mas como essa ainda é uma realidade, precisamos criar mecanismos que facilitem o acesso da mulher ao exame de mama.

É dentro dessa lógica que a Central Única dos Trabalhadores em Pernambuco (CUT-PE), sugere a todas as categorias que coloquem em sua pauta de reivindicações, durante as Campanhas Salariais, mecanismos que garantam tempo à mulher para a realização do exame. No caso das categorias em que há exigência de exames periódicos, é preciso que os exames de câncer de mama e próstata sejam inseridos no rol de exames obrigatórios.

Garantir o acesso da mulher ao exame do câncer de mama e conscientizá-la da importância de realizar o auto-exame, é uma necessidade! Por isso, essa meta precisa ser abraçada por todos os sindicatos CUTistas e levada às bases como uma de nossas prioridades na busca da saúde da trabalhadora e do trabalhador.

Outras informações

O movimento começou a surgir em 1990 quando aconteceu a primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova Iorque, e desde então, promovida anualmente na cidade. Entretanto, somente em 1997 é que entidades das cidades de Yuba e Lodi, também nos Estados Unidos, começaram a promover atividades voltadas ao diagnóstico e prevenção da doença, escolhendo o mês de Outubro como epicentro das ações. Hoje o Outubro rosa é realizado em vários lugares do mundo.

No Brasil, as campanhas de conscientização sobre o câncer de mama acontecem desde 2002 e à partir de 2011 sobre o câncer de colo do útero em diversos estados[2]. A publicidade adotou o tom de rosa como motivador de campanhas no período, e ações em mídias sociais também tendem a ser reforçadas durante este mês. No entanto, especialistas da área médica ressaltaram, em levantamento apresentado no ISPOR (um dos mais importantes canais de divulgação científica sobre farmacoeconomia e pesquisa de resultado), em em 2017, que ainda que a conscientização seja muito importante, é necessário cuidado com as mensagens divulgadas neste período.

Uma análise das postagens realizadas em redes como Facebook e Twitter em língua portuguesa mostrou que existe bastante desinformação nas campanhas de conscientização, especialmente acerca do autoexame, que não é considerado suficiente para a detecção precoce da doença. Tocar o próprio corpo e reconhecer sinais de possíveis mudanças é uma importante ferramenta de empoderamento da mulher frente à própria saúde, mas não substitui a mamografia, por exemplo. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que apenas 2,5 milhões de mamografias foram realizadas em 2014, equivalente a uma taxa de 24,8%, bem menos do que os 70% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) Em vários lugares do mundo principalmente nos EUA o outubro rosa é caracterizado por monumentos da cor rosa