Seguindo o ritmo das negociações das demais estatais federais de TI, a Campanha Salarial dos/as trabalhadores/as da Dataprev de 2020/2021 foi levada para mediação do TST e se prolongou até o início da data-base seguinte: 2021/2022.

Assim como no Serpro, a Dataprev não apenas demorou muito para efetivamente negociar, como também insistiu por um longo período de tempo em apresentar uma proposta que previa grande arrocho salarial e a retirada de direitos. Como se não bastasse a proposta inaceitável apresentada pela empresa, a GEAP decidiu, em meio à pandemia, romper o convênio que tinha com a empresa, que garantia o plano de saúde para os/as trabalhadores/as e com isso a Dataprev quis se eximir da responsabilidade de garantir a concessão de um novo plano. 

Dada a situação crítica a que chegaram as negociações, os/as trabalhadores/as da Dataprev fizeram uma greve nacional. Graças a essa mobilização, eles/as garantiram o retorno da empresa para a mesa de negociação e uma mudança de postura da direção da Dataprev, fazendo com que houvesse avanço nas negociações e fosse possível a assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2022 na última segunda-feira (31/5), no seguintes termos:

- Manutenção de todas as cláusulas do acordo anterior; reajuste das cláusulas econômicas de 1,23% no período de 2020/2021 e 5,35% para o período de 2021/2022; manutenção da 13ª cartela do tíquete; abono dos dias de greve; manutenção do anuênio e da licença-prêmio para novos empregados e formação de uma comissão paritária para buscar alternativas de fornecimento de um novo plano de saúde.

Entraves 

Enquanto isso, no Serpro os entraves da negociação permanecem. Isso graças à intransigência da direção da empresa, que insiste na imposição de grandes perdas econômicas e retirada de direitos dos/as trabalhadores/as, além de discriminar novos empregados restringindo para eles o direito à licença-prêmio e ao anuênio.
Sendo ambas estatais federais, lucrativas e ligadas ao mesmo Ministério, nada justifica esse descompasso com a postura adotada pela direção da Dataprev, que decidiu levar a bom termo as negociações e a conduta da direção do Serpro, que está mantendo-se irredutível no ataque aos direitos e ao poder aquisitivo dos/as trabalhadores/as. Se o que fez as negociações na Dataprev avançarem foi a greve realizada pelos/as empregados/as da empresa, será que é isso que a direção do Serpro está esperando que aconteça para poder apresentar uma proposta minimamente aceitável?

A lição que fica nesse episódio, é a sempre defendida pelo sindicato: sem luta e mobilização, a tendência é que os/as empregados/as sejam engolidos/as pelas empresas. É preciso reagir e buscar nossos direitos! Só uma mobilização dos/as trabalhadores/as do SERPRO poderá fazer a Campanha avançar.