Uma Audiência Pública que aconteceu na manhã desta segunda-feira (17/2), na Câmara Municipal do Recife  (CMR), discutiu a postura entreguista do governo federal de fechar unidades e demitir trabalhadores da DATAPREV e do SERPRO. A privatização das empresas e suas consequêncas para os cidadãos brasileiros e o país vem sendo discutida a cada dia por mais parlamentares e membros da sociedade civil, dada a importância dessas empresas para a preservação da soberania nacional. A audiência de hoje, que atendeu requerimento do vereador João da Costa (PT), contou com a presença de empregados das empresas, de diretores do SINDPD-PE e parlamentares das esferas municipal, estadual e federal. 
Abrindo a Audiência para uma plateia que lotou o plenarinho, a presidenta do SINDPD-PE, Sheyla Lima, alertou que a sociedade precisa tomar conhecimento do que vem sendo feito pelo governo federal e questionou a política do atual governo, que deveria ser de "proteger o patrimônio nacional e não de entregá-lo". Sheyla lembrou que a iniciativa de procurar o apoio do legislativo é fundamental. "A gente está buscando o Legislativo porque as empresas precisam de autorização para as privatizações. Necessitamos do apoio de uma bancada política e que se faça um debate aberto com o governo”, destacou.
 
Falando pelo SERPRO, o analista de TI Reinaldo Soares destacou o trabalho desenvolvido pela empresa, os vários prêmios recebidos e que o SERPRO possui grandes clientes, como o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE). Para Wagner Silveira, empregado de SERPRO e Secretário de Formação do SINDPD o que impera no momento é a política privativista defendida pelo governo Bolsonaro, "que se estende para outras estatais como a EMBRAER, que já foi privatizada".

Representando a DATAPREV, Geison Vasconcelos lembrou que os dados que as duas empresas reúnem são patrimônio dos cidadãos, "porque as empresas públicas não pertencem ao governo e sim, ao Estado". Ele enalteceu que a luta não é de uma só categoria e que o governo federal precisa dos dados que são divulgados por ambas as empresas. Para Venício Dantas, funcionário da DATAPREV, a empresa tenta justificar o fechamento da unidade de Pernambuco alegando redução da demanda local e a não geração de receita pelas empresas. "Isso não é real, pois há anos essas duas empresas não atuam com lógica local", pontuou. Ele lembrou ainda que os três poderes têm responsabilidade pela manutenção das empresas por sua importância nacional.
O presidente da CUT/PE Paulo Rocha, alertou para o fato que a prioridade do governo federal é privatizar, "mesmo que se trate de empresas lucrativas e que gerem lucro, o governo ataca empresas e servidores, reduzindo conhecimento".

Para João da Costa, a luta contra a privatização do SERPRO e DATAPREV deixou de ter um foco local há muito tempo, já que todas as iniciativas do governo seguem uma tendência mundial e tem uma dimensão social, econômica e política, pois diz respeito ao tipo de Estado que queremos "e o objetivo do atual governo é desmoralizar o Estado".

Além da mesa de debates,se pronunciaram durante a Audiência o deputado federal Túlio Gadêlha (PDT); o deputado estadual Isaltino Nascimento (PSB), os vereadores Ivan Moraes (PSOL); Luiz Eustáquio (PSB) e Jayme Asfora (sem partido). Todos foram unânimes na defesa do SERPRO e da DATAPREV. No momento de exposição da platéia, também falaram as diretoras do SINDPD, Maria Torres e Liana Araújo. Estiveram ainda presentes na Audiência, o representante da deputada estadual Teresa Leitão (PT), Ismael Bento de Melo; do deputado federal Carlos Veras (PT), Glaucus Lima e do deputado federal João Campos (PSB).