Em mais uma atitude de desrespeito aos empregados e empregadas da empresa, a diretoria do SERPRO divulgou na última quarta-feira (21/10/2020) o tão esperado Programa de Demissão Voluntária – PDV, apresentando uma proposta que além de frustrar as pessoas que esperavam pelo Programa, discrimina algumas e traz implícita ameaça para outras. 

É fato que vários trabalhadores e trabalhadoras esperam há anos um programa de aposentadoria que possa contemplar seus projetos de vida, para saírem da empresa com sua dignidade e seus direitos mantidos. Para o SERPRO, a renovação de quadros com a saída de pessoas aposentadas e contratação de novos empregados, também é salutar. 

Antes do golpe que afastou a Presidenta Dilma, a empresa havia implementado um Programa de Responsabilidade Social, o qual  continha alguns subprogramas, dentre os quais, o de Preparação para Aposentadoria. As limitações orçamentárias existentes e o controle de gastos imposto pela SEST fazia com que o Programa não atendesse plenamente aos interesse da empresa, nem dos empregados, mas contemplava parcialmente essas expectativas, sem traumas para nenhuma das partes.

Hoje a história mudou e para pior! Afinal, a direção do SERPRO acabou com o programa de responsabilidade social existente e aderiu plenamente ao programa de irresponsabilidade social do atual governo, que tem como uma das metas privatizar tudo, a toque de caixa. Por isso, não se fala mais em concurso público, acabaram o Programa de Preparação para a Aposentadoria e implementaram um Programa de Desligamento “Voluntário”, num clima de tantas ameaças implícitas que para muitos não vai ser nada voluntário, pois ou saem agora com algum trocado, ou saem em seguida de qualquer forma.

Certamente se for questionada, a direção da empresa vai dizer que não existem ameaças e que está até sendo "boazinha", apesar dos limites impostos a ela. Se isso fosse verdade, como explicar o fechamento dos escritórios, deixando as pessoas vulneráveis, antes de lançar o PDV? Por qual motivo excluíram as pessoas que se aposentaram após a reforma da previdência e as que possuem 75 anos ou mais de idade? A mensagem dada para essas pessoas é de que podem ficar tranquilas, pois mesmo sem aderirem ao PDV seus empregos estão garantidos? 

Na verdade, essas parecem ser apenas as primeiras vítimas desse projeto autoritário e irresponsável. Quiçá os trabalhadores e as trabalhadoras possam enxergar isso e ao invés de ficarem disputando entre si, para ver quem sobrevive com menos danos, ou esperando como cordeirinhos até chegar a sua vez de ser abatido, se organizem e lutem em defesa dos seus empregos e da manutenção do SERPRO como empresa pública e estratégica que é. Apesar de todas as dificuldades, sempre temos um caminho a escolher. Lutar para mudar, ou aceitar os absurdos sem esboçar qualquer reação, é uma opção! A escolha é sua!

#NãoàPrivatizaçãodoSerpro